Dos corredores da FACOM à redação do Jornal O Globo

Marcinho Niheus

fotoCom sangue de jornalista correndo nas veias, a mineira natural de Juiz de Fora, Fernanda Baldioti, não poderia ter feito melhor ao trocar sem pestanejar a possibilidade de se tornar atriz pelo de sonho de ser jornalista. É que a bela de 29 anos, com três períodos cursados na Facom – e muito bem aproveitados, segundo ela – resolveu alçar voos mais altos. Ainda pouco depois de dar início ao quarto período letivo, aterrissou em solo carioca e depois de acumular alguns trabalhos como modelo e concluir o curso na FACHA, hoje é editora assistente do Caderno ELA, publicado no Jornal O Globo.

Procurada pelo Mergulho da Hora, Fernanda provou que ser acessível é só mais um item na extensa lista de predicados arrasta por aí e mostrou em um papo franco porque é o “perfil” da vez no Facom por aí.

Moda e jornalismo, não necessariamente nessa ordem, quando você descobriu que gostaria de fazer do combo, o seu ganha pão?

O jornalismo foi desde sempre. Talvez tenha pensado em ser atriz na infância. Mas desde o dia que vi meu pai entrando ao vivo na rádio por um aparelho que se assemelha ao celular diante de uma batida de trânsito na Avenida Rio Branco fiquei fascinada pelo jornalismo e decidi que aquilo era o que eu queria ser quando crescer. Só que até hoje culpo o jornalismo por não saber andar de bicicleta. É que meu pai passava os fins de semana cobrindo os jogos e quase não tínhamos tempo de brincar na minha infância…

Você passou um tempo na Facom, curtíssimo, aliás, e acabou terminando os estudos no Rio de Janeiro. Certo? Por quê você escolheu a UFJF e depois precisou fazer essa transição?

Foi curto, mas essencial. Três períodos. Cheguei a começar o quarto período, mas a faculdade entrou em greve, quando as aulas retornaram, eu já tinha mudado para o Rio. Vim para cá por conta de oportunidades profissionais como modelo e porque me casei e meu marido morava aqui. Mas, no fundo, já vislumbrava que o campo no jornalismo aqui seria melhor…

Apesar do pouco tempo, qual o impacto que você acredita que a Faculdade tenha deixado em você?

Digo isso a todo mundo, sem pestanejar: a FACOM me ensinou muito, contribuiu muito para a minha base teórica e até hoje me lamento de não ter tido a oportunidade de fazer os ‘mergulhões’ (ainda existem?) aí. Aqui no Rio, o currículo da FACHA [Faculdades Integradas Hélio Alonso], era diferente e não tinha uma experiência profunda como esta. Além de maravilhosos professores, alguns dos quais tenho contato até hoje, a UFJF me proporcionou duas experiências maravilhosas: o estágio na IMAGEM, com o Márcio Guerra, minha primeira experiência na área; e o PET, comandado na época pelo Paulo Roberto Figueira Leal, que veio, anos depois, participar da minha banca de mestrado na UERJ.

Já na cidade maravilhosa, como surge a oportunidade de trabalhar no Globo?

É aí que eu digo que as duas faculdades se complementaram. Apesar de a parte teórica da UFJF ter sido primorosa, foi na FACHA que em um dia de aula, um professor nos convidou para conhecer a redação do GLOBO e a coordenadora de estágio do jornal. Eu e mais 5 pessoas aceitamos o convite e eu fiquei incumbida de fazer uma matéria para o jornal da faculdade sobre o programa. Além de conhecer a possibilidade, acho que aquele dia foi fundamental para eu ter ido bem na última etapa do processo seletivo, já que a pessoa que estava fazendo a entrevista, a jornalista Nivia Carvalho, conhecia a minha apuração e o meu texto.

Apesar de podermos nos dar ao luxo de não ter um rotina tão sisuda, você conseguiria nos contar basicamente qual a sua função dentro do jornal e como funciona o seu dia a dia na redação?

Sou editora-assistente do Caderno ELA e cuido especificamente do nosso site, o http://www.eladigital.com.br, e da home de Estilo no Globo (oglobo.com.br/estilo). Além de editar e fazer matérias para o site, atualização das nossas redes sociais (face, twitter e instagram), também procuro fazer matérias para o jornal impresso. Mas, diferentemente dos colegas de outras editorias, como Cidade, por exemplo, até que considero minha rotina bem organizada, passo a maior parte do tempo na redação e quando tenho que sair é mais para jantares, desfiles e lançamento.

Você tem contato direto com estilistas e coleções, que são sonho de consumo de 9 entre 10 pessoas. De vez em quando rola algum presente? Como você consegue manter a imparcialidade?

Nosso código de conduta (do grupo Globo) não permite o recebimento de presentes. É bom lembrar que o ELA não é só um caderno de moda, falamos de coisas boas da vida, como gastronomia, beleza, decoração. Recebemos sim convites para tratamentos de beleza, lançamentos de menus, desfiles, por exemplo, mas para conhecermos e fazermos matéria, tendo a liberdade de falar bem ou mal. Isso sempre tem que ficar muito claro para as assessorias. Temos até colunas nos blogs como “nós testamos”, cujo intuito é oferecer um serviço para o leitor. Se sabemos que aquilo não é de interesse do nosso público ou de relevância para o nosso trabalho, não tem porque irmos ou recebermos. E vale ressaltar que, apesar de ser o sonho de consumo de quem está de fora, para nós é encarado como trabalho, como na editoria de Cultura, que tem que assistir aos lançamentos de filmes e receber livros para fazer resenhas. Qualquer coisa que fuja desses objetivos pode e deve ser até motivo para demissão.

Qual é o bônus de se trabalhar com jornalismo de moda/comportamento?

Como disse, é um trabalho como qualquer outro no jornalismo. Só é bom para mim porque são assuntos que eu gosto. Poderia ser o Esportes, a antiga seção sobre Carros. Muitos estagiários que passam pelo nosso programa e circulam por todas as editoras não querem passar por aqui porque não gostam do assunto. Não podemos dizer há um bônus… Agora,para mim, é melhor cobrir moda do que ir para favela fazer incursões da polícia, milícia, ou uma cobertura internacional de guerra, por exemplo. Mas tenho amigos que gostam desse tipo de cobertura.

Quais são e como você busca as suas referências?

Acompanhamos muito os sites internacionais, não só os de moda, mas os de notícias mesmo, como Independent, NYT, Telegraph, Daily Mail. Além, é claro, das revistas de moda e dos outros assuntos que citei que cobrimos.

A Fernanda consegue se desligar completamente? Se sim, o que ela costuma fazer em um day off?

Claro que consigo. Adoro sair com meus amigos, minha família, passear, ler, e, principalmente, viajar.

E por mais clichê que pareça, para quem tem vontade de trilhar um caminho parecido, qual conselho você daria?

Acho que conselho eu só pediria para o Bonner ou para a Fátima Bernardes… Brincadeira. Mas acho que além de correr atrás e ler muito sobre o tema que você gosta, é importante estar aberto a fazer e conhecer outras coisas. Principalmente no jornal, se eu soubesse falar só de moda, não teria chegado até aqui. Até porque sou emprestada para outras editorias quando necessário. Na Copa, passei 40 dias nos Esportes, já fui da Rio, da Economia… Temos que ler pelo menos um jornal todos os dias e cuidar do português. É o que sinto que mais falta nas novas gerações, inclusive a minha.

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